Anaporka Adazabra, Ghana

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Anaporka Adazabra, Ghana

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Farmio

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Há um tipo específico de problema em torno do qual Anaporka Adazabra construiu a sua empresa: a diferença entre aquilo que um pequeno agricultor produz e aquilo que consegue efetivamente capturar desse valor. Não apenas em rendimento — embora também — mas em visibilidade, poder de negociação e na capacidade básica de participar no mercado em condições minimamente justas. A resposta da Farmio a esse problema não é apenas tecnológica nem apenas social. É ambas ao mesmo tempo — e é essa combinação que a torna relevante.

Anaporka chegou à competição WAYA de 2024 como 1ª classificada na posição de vice-campeã (1st Runner Up) na categoria de Inovadora Ag-Tech. No espaço de um ano, a Farmio cresceu de forma que confirmou tanto o reconhecimento como a solidez do modelo.

O investimento direcionado para a lacuna real

Quando recebeu o prémio, Anaporka não investiu em visibilidade ou branding. Investiu em infraestrutura para pessoas sem smartphones. Trinta e cinco por cento financiaram o backend de uma plataforma USSD — acessível através de telemóveis básicos, sem necessidade de internet — permitindo aos agricultores solicitar serviços, receber aconselhamento agronómico e acompanhar entregas através de códigos simples. Outros trinta por cento foram destinados ao recrutamento e formação de 20 jovens agentes para onboarding e recolha de dados no terreno. Este é o lado menos visível do agritech: a camada humana e operacional que torna a tecnologia utilizável nas comunidades rurais.

Ao fim de um ano, a base ativa de utilizadores digitais da Farmio mais do que duplicou, ultrapassando os 9.300. Novas estufas estavam operacionais nas regiões Upper West e Eastern. Um centro de agregação rural foi inaugurado na região de Volta. Foi lançado um kit compacto de estufa para jovens periurbanos. E a Farmio realizou a sua primeira expansão internacional, iniciando exportações de mandioca e inhame para a Nigéria.

Dar identidade financeira aos agricultores

Um dos desenvolvimentos mais relevantes ocorreu de forma discreta. A Farmio integrou no seu SuperApp um sistema de scoring de crédito que gera perfis financeiros individuais com base no histórico de transações, nível de atividade e produtividade dos agricultores — e não em extratos bancários ou garantias que a maioria não possui. O resultado foi um modelo de financiamento “pay-as-you-grow” para insumos: acessível, previsível e reutilizável. Trata-se de uma intervenção pequena na forma, mas com implicações estruturais sobre quem consegue crescer.

Paralelamente, a Farmio introduziu estufas automatizadas com monitorização em tempo real de nutrientes e clima, torres hidropónicas verticais para ambientes urbanos e escolares, e uma ferramenta beta de previsão de mercado baseada em IA. Não são linhas de produto isoladas — são diferentes portas de entrada para uma mesma visão de cadeia de valor mais transparente e equitativa.

O programa de recompra que fechou o ciclo

Um dos elementos mais representativos da abordagem sistémica de Anaporka foi o trabalho com mulheres rurais após o prémio. A Farmio formou mulheres no processamento e embalagem de produtos como mandioca, chili e tomate em versões estáveis e prontas para o mercado. Depois criou um programa de recompra, adquirindo esses produtos quando cumpriam os padrões de qualidade e integrando-os na sua rede de distribuição. Formação sem mercado é apenas um gesto. Formação com garantia de compra é um modelo de negócio.

No período de um ano, mais de 120 mulheres foram formadas em três distritos rurais, e 60% reportaram aumento de rendimento mensal. A equipa da Farmio cresceu para 34 colaboradores, incluindo 13 mulheres — algumas promovidas a funções de supervisão. Novas contratações focaram-se em controlo de qualidade, vendas, envolvimento digital e logística.

Reconhecimento que gera mais reconhecimento

O ano trouxe também validação externa com impacto direto na trajetória da empresa. Anaporka foi nomeada uma das cinco vencedoras africanas do Bayer Foundation Women Empowerment Award, entre mais de 1.700 candidaturas globais, e recebeu o prémio KPMG Africa Best Female Founder. Seguiu-se um financiamento de 25.000 dólares da Bayer Foundation para reforçar as soluções de agricultura inteligente da Farmio. Estes reconhecimentos não foram apenas simbólicos — alteraram a perceção dos investidores.

Financeiramente, a Farmio fechou o ano fiscal de 2024 com um crescimento de 37% na receita, atingindo 580.000 dólares. No primeiro trimestre de 2025 gerou 210.000 dólares e atingiu 570.000 dólares a meio do ano, indicando um ritmo acima das projeções anteriores. Paralelamente, avançavam conversas com investidores para uma ronda de financiamento de 1,5 milhões de dólares.

Uma líder que expande o impacto

A liderança de Anaporka evoluiu em paralelo com o crescimento da empresa. Participou no programa GCIC SURGE, focado em inovação climática no Gana. Interveio na Ghana Agritech Women’s Roundtable. Criou um programa interno de mentoria entre colaboradoras juniores e líderes seniores. Continuou a apoiar jovens mulheres através da organização Northern Girls In Tech. Segundo a própria, o reconhecimento WAYA reforçou a confiança para liderar com estratégia e empatia, e para incluir outras mulheres no crescimento.

O que a Farmio representa hoje

Um ano após o WAYA, a Farmio representa uma abordagem específica ao agritech: não crescer por crescer, mas crescer porque os problemas que resolve exigem escala.