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A Tanzânia não é um país que a maioria das pessoas associe ao vinho. E, de certa forma, é precisamente essa a oportunidade que Judith Endelesi Kaaria tem vindo a construir — e a lacuna que torna a Ava Group Investments Ltd. uma empresa digna de atenção.
A Ava Group produz vinho a partir de ananás e uvas, adquiridos a pequenos agricultores ao longo da costa da Tanzânia e na região de Dodoma — uma zona de altitude com uma longa tradição de cultivo de uvas, mas que nunca desenvolveu plenamente a infraestrutura de processamento que os seus agricultores mereciam. O reconhecimento de Judith como 1ª Finalista na categoria de Campeã de Empoderamento Feminino no WAYA 2024 surgiu num momento decisivo: o negócio estava pronto para crescer, e o prémio trouxe os meios e a visibilidade necessários para o fazer.
Uma unidade no coração das explorações agrícolas
O prémio foi investido em dois elementos: terreno em Dodoma e um veículo. Isoladamente, podem parecer comuns, mas juntos representaram um reposicionamento estratégico do negócio. O terreno tornou-se o local de uma nova unidade de produção na área de Mpunguzi — construída diretamente no centro da zona produtora de uvas que iria servir. Em dez meses, a unidade estava concluída e operacional.
A lógica foi simples e os resultados imediatos. Os custos de transporte reduziram-se em 61%. As perdas pós-colheita diminuíram 40%. Os vinhos Ava Santiago — a marca de Judith — chegaram a mais de 1.000 novos clientes em Dodoma, Mwanza e Shinyanga, regiões anteriormente inacessíveis. O veículo tornou-se o elo logístico entre a exploração, a fábrica e a distribuição, encurtando uma cadeia que antes dificultava a expansão. A receita cresceu 5% no período — um número modesto que esconde melhorias estruturais mais profundas.
4.000 agricultores, 87% mulheres
O modelo de Judith sempre valorizou tanto os agricultores como o produto final. Mais de 350 pequenos produtores — mais de 200 de uvas e os restantes de ananás — abastecem a Ava Group. 87% são mulheres. Através de um programa de formação apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA, mais de 4.000 agricultores receberam formação prática em técnicas agrícolas modernas e valorização de produtos.
A lógica é a mesma do modelo de negócio: fruta excedente que antes se perdia passa a ser transformada em vinho; os agricultores deixam de absorver prejuízos e passam a gerar rendimento.
Os resíduos de ananás e uva são reaproveitados como ração animal — uma prática de economia circular que fecha mais um ciclo na cadeia de valor que Judith tem vindo a consolidar.
Uma mentoria da Moët Hennessy
Um dos elementos mais singulares do período pós-prémio foi a mentoria proporcionada pelo programa da FAO em parceria com o WAYA: a mentora global de Judith veio da Moët Hennessy. Para uma fundadora a construir uma marca de vinho a partir de fruta na Tanzânia, o acesso a conhecimento sobre mercados internacionais, branding e captação de investimento foi raro e transformador.
Judith também participou no Africa Food Systems Forum em Kigali, na sessão CEO Chat, e foi reconhecida entre as 50 Jovens Empreendedoras mais influentes da Tanzânia. Paralelamente, criou círculos informais de mentoria que já apoiam 17 jovens mulheres na criação de negócios agrícolas.
O desafio do crescimento da procura
Dez meses após o prémio, surge um desafio claro: a procura está a crescer mais rapidamente do que a capacidade de produção. A unidade de Dodoma já está operacional, mas ainda não consegue acompanhar os picos de procura, especialmente durante as épocas de colheita. É um desafio positivo — mas que exige investimento adicional.
O WAYA não transformou o negócio do zero. Acelerou algo que já estava bem estruturado: uma cadeia de valor que liga mulheres agricultoras a um produto com procura real, num setor ainda pouco desenvolvido no país. A unidade em Mpunguzi é a prova concreta dessa aceleração. O próximo passo dependerá da capacidade de atrair investimento para acompanhar o crescimento.