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Seis comunidades rurais. Seiscentas mulheres rurais formadas. Cento e cinquenta delas já a gerir as suas próprias explorações de cogumelos — muitas a gerar rendimento de forma independente pela primeira vez. Para um negócio que tinha quatro colaboradores antes de vencer o prémio WAYA, os resultados alcançados em seis meses pela Rising SheFarms Food contam uma história tão impressionante quanto inesperada.
Lydia Madintin Konlan construiu a sua empresa em Tamale, na Região Norte do Gana, em torno de uma cultura ainda pouco comum nas comunidades onde atua. Os cogumelos não fazem parte da tradição agrícola local, o que significava que cada exploração criada exigia também um trabalho de sensibilização — junto de mulheres, famílias e líderes comunitários, que precisavam de ver resultados económicos antes de acreditarem. O facto de Lydia ter expandido de quatro para seis comunidades e levado 150 mulheres a operar explorações produtivas em apenas seis meses demonstra a força do modelo e da liderança.
O prémio foi investido diretamente na capacidade organizacional. Foram contratadas duas jovens mulheres — uma gestora de projeto e uma assistente administrativa — para apoiar a gestão de uma rede em rápido crescimento. Seguiu-se a aquisição de ferramentas e equipamento de compostagem. Foi um investimento discreto, mas estrutural, essencial para sustentar a expansão.
Uma das inovações mais marcantes foi a transformação de 10 toneladas de resíduos agrícolas em 10.000 sacos de composto. Trata-se de uma solução de economia circular que reduz custos de produção, diminui a dependência de insumos comerciais e transforma resíduos num ativo da cadeia de valor. Em conjunto com uma parceria com a Association of Nubian Vaults para desenvolver estruturas de cultivo sustentáveis e com um sistema de rastreabilidade do produto, a empresa integrou práticas climáticas inteligentes na sua operação.
No plano financeiro, o prémio abriu novas oportunidades. Lydia obteve 12.000 USD de financiamento através do Global Accelerator Program do Accelerator Centre e da Universidade de Waterloo. As receitas com a venda de cogumelos frescos cresceram 10%, impulsionadas pela expansão da rede de produtoras. Um sistema piloto de produção automatizada está em desenvolvimento, com quatro acres de terreno já assegurados, permitindo produção durante todo o ano e reduzindo a dependência da sazonalidade.
O modelo de mentoria entre pares implementado por Lydia — em que mulheres que adotaram primeiro a tecnologia formam outras — permitiu enraizar conhecimento dentro da comunidade, evitando dependência externa. Líderes tradicionais foram envolvidos no processo, ajudando a mudar perceções sociais sobre o papel das mulheres na agricultura.
Seis meses após ser distinguida como 2ª Finalista, Lydia lidera um negócio que vai além da produção de cogumelos. Trata-se de um modelo que gera rendimento, promove independência e cria oportunidades para mulheres rurais entrarem na economia formal.