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Há uma pergunta persistente no trabalho de conservação em África: quem beneficia? Árvores são plantadas, carbono é medido, créditos são vendidos — mas o agricultor que cuidou da terra muitas vezes permanece à espera da sua parte. Um ano após vencer o WAYA Rising Star para a África Austral, Tonthoza Uganja estava a construir uma resposta — e a torná-la verificável.
A Sustainable Farming Solutions opera em Mzimba e Nkhatabay, no norte do Malawi, em comunidades frequentemente descritas como degradadas, mas que são, acima de tudo, lar. O trabalho começa com árvores — regeneração natural, agroflorestação, viveiros — mas Tonthoza percebeu cedo que o verdadeiro valor não está na árvore em si, mas no resultado verificável. Se esse resultado pode ser medido, pode também ser remunerado.
A plataforma Smart Tree, lançada em protótipo em março de 2025 em Kabwafu, foi criada para esse fim. Monitoriza a sobrevivência das árvores, o uso da terra e indicadores de rendimento em tempo real, tornando a restauração visível, auditável e potencialmente financiável em parceria com o NBS Bank. Até à data, 266 agricultores estavam registados, com uma meta de 622 até 2026. A ferramenta foi concebida para funcionar nas condições reais do terreno, priorizando utilidade sobre sofisticação.
Ao longo do ano, o número de agricultores cresceu de 1.400 para 2.867. As associações de poupança e crédito comunitárias aumentaram de 20 para 25, envolvendo 625 mulheres, 40% delas jovens. A renda de 622 agricultores aumentou 30%. Atividades como apicultura e produção de cogumelos complementaram os rendimentos. Foram geridos 717 hectares em recuperação ativa, com 20.000 árvores plantadas na última época e 100.000 árvores sobreviventes no total.
As condições climáticas foram adversas, reduzindo a taxa de sobrevivência para 60%. No entanto, essa limitação reforçou a importância da monitorização em tempo real — permitindo resposta baseada em dados concretos.
Tonthoza também ganhou visibilidade internacional. Apresentou-se como finalista no Youth Ecopreneurship nas margens da Assembleia Geral da ONU, falou na UNCCD COP15 na Arábia Saudita, participou no Start Summit na Suíça e tornou-se Henry Arnhold Conservation Fellow da Mulago Foundation, recebendo financiamento e acesso a uma rede global.
No horizonte está o Mtengo Lab — um centro de inovação e investigação focado em agroflorestação, formação de jovens e ciência de restauração liderada por agricultores. “Mtengo” significa árvore em chichewa, refletindo a ambição de criar impacto duradouro.
A abordagem de Tonthoza é guiada por um princípio: os agricultores devem compreender e beneficiar diretamente do valor que criam. Embora os pagamentos ligados a créditos de carbono ainda estejam a alguns anos de distância e persistam desafios como conectividade e financiamento, a base está a ser construída — com dados verificados, estruturas comunitárias e um modelo que procura manter o valor próximo da terra onde é gerado.