Sandra Letio, Uganda

Sandra Letio, Uganda

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O nome diz muito. Pelere, na língua Acholi do norte do Uganda, significa processar, transformar. É um nome adequado para uma empresa que pega num dos recursos agrícolas mais antigos da região — o karité Nilotica — e o transforma desde a árvore até ao produto final, da exploração rural à prateleira urbana. Sandra Letio não construiu apenas um negócio em torno dessa transformação. Construiu toda uma cadeia de valor, demonstrando que uma mulher de Gulu pode levá-la até ao mercado global.

Quando Sandra foi distinguida como 1ª Finalista na categoria de Líder Resiliente e Inspiradora do WAYA, o Pelere Group já operava em dois locais rurais — Matugga (distrito de Wakiso) e Layibi (Gulu) — com uma equipa de 150 pessoas, maioritariamente mulheres e jovens. O prémio não criou o seu impulso, mas amplificou-o.

O primeiro movimento concreto foi a utilização estratégica do prémio. Cerca de 2.500 USD foram investidos em maquinaria para a fábrica de Matugga, enquanto 5.500 USD foram destinados à aquisição de um veículo de distribuição — um investimento simples, mas crucial para resolver um dos maiores desafios do setor: garantir entregas eficientes sem comprometer margens. Paralelamente, iniciou-se a construção de um novo armazém.

O desenvolvimento mais marcante foi a criação de uma máquina personalizada para o processamento de karité Nilotica e outras oleaginosas. Após concluída e enviada para Gulu, esta máquina permitiu aumentar a capacidade produtiva de 10 toneladas por mês para 10 toneladas por dia — uma transformação estrutural no potencial do negócio.

Ao fim de um ano, o equipamento já estava instalado, com vários contentores de 40 pés integrados nas operações. O foco passou do processamento local para a preparação para exportação. As receitas cresceram 15%, impulsionadas por melhorias na logística, eficiência aduaneira e expansão comercial. Sandra desenvolveu competências sólidas em comércio internacional — documentação, conformidade e normas — posicionando a empresa para mercados regionais e globais. A presença na plataforma Alibaba formalizou essa ambição.

As raízes comunitárias mantiveram-se centrais. No primeiro ano, foram criados 30 novos empregos diretos em áreas como logística, operação de máquinas e gestão de produção, além de 180 oportunidades no ecossistema mais amplo. Cerca de 2.000 pequenos agricultores passaram a integrar a cadeia de valor, e 1.500 mulheres e jovens receberam formação em gestão de negócios e exportação. O modelo da Pelere permite que mulheres e jovens se tornem distribuidores independentes, integrando o empoderamento na própria estrutura comercial.

O percurso de Sandra acompanhou o crescimento da empresa. Participou em conferências internacionais, falou em fóruns de negócios e continuou a mentorar outras mulheres empreendedoras. Através do programa FAO-IAFN, trabalhou com mentores para refinar a estratégia e preparar a expansão.

A sua trajetória demonstra que resiliência não é apenas resistir a desafios — é construir algo suficientemente sólido para crescer através deles, levando consigo o maior número possível de pessoas.

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